sexta-feira, 6 de maio de 2011

Arquitetura da Felicidade



Trechos e quatro capitúlos do livro, degustem:
Capítulo 1
Uma casa geminada numa rua arborizada. Hoje cedo, a casa ressoava com gritos de crianças e vozes de adultos, mas desde que o último ocupante partiu (com a sua mochila) há poucas horas, ela ficou sozinha para curtir a manhã. O sol surgiu por cima da empena dos prédios em frente e agora entra pelas janelas do andar térreo, pintando as paredes internas de um amarelo amanteigado e aquecendo a fachada de ásperos tijolos vermelhos. Dentro das faixas formadas pela luz do sol, partículas de pó movem-se como obedecendo ao ritmo de uma valsa silenciosa. Do vestíbulo, o murmúrio baixo do tráfego alguns quarteirões adiante pode ser percebido. Ocasionalmente a caixa de correio se abre para receber um folheto melancólico.
A casa dá sinais de gostar do vazio. Ela se reorganiza depois da noite, limpando os seus pulmões e estalando as juntas. Esta criatura digna e amadurecida, com suas veias de cobre e pés de madeira aninhados numa camada de argila, suportou muita coisa: bolas lançadas contra as laterais do seu jardim, portas batidas com raiva, tentativas de plantar bananeira ao longo dos seus corredores, o peso e os ruídos de equipamentos elétricos e encanadores inexperientes sondando as suas vísceras. Uma família de quatro pessoas, acompanhada de uma colônia de formigas ao redor das fundações e, na primavera, ninhadas de tordos nas chaminés. Ela também empresta um ombro a uma frágil (ou apenas indolente) ervilha-de-cheiro que se encosta no muro do jardim, regalando-se com a corte peripatética de um círculo de abelhas.
A casa se transformou numa testemunha bem informada. Foi cúmplice das primeiras seduções, vigiou os deveres de casa sendo feitos, observou bebês envoltos em cueiros recém-chegados do hospital, foi surpreendida no meio da noite por conversas sussurradas na cozinha. Experimentou noites de inverno, quando as suas janelas ficavam frias como sacos de ervilhas congeladas, e crepúsculos no auge do verão, quando as suas paredes de tijolos tinham o calor de um pão recém-saído do forno.
Ela proporcionou não apenas refúgio físico mas também psicológico. Tem sido uma guardiã da identidade. Ao longo dos anos, seus donos retornaram depois de períodos de ausência e, olhando ao redor, lembraram quem eles eram. As lajotas do pavimento térreo falam de serenidade e graça amadurecida, enquanto a regularidade dos armários da cozinha é um modelo de ordem e disciplina que não intimida. A mesa de jantar, com a toalha de oleado estampada com grandes botões-de-ouro, sugere uma explosão de alegria aliviada por uma carrancuda parede de concreto próxima. Junto da escada, pequenas naturezas-mortas com ovos e limões chamam a atenção para a complexidade e beleza das coisas cotidianas. Na prateleira sob a janela, um jarro de vidro com centáureas ajuda a resistir à atração da melancolia. No andar superior, uma sala vazia e estreita é espaço para tramar pensamentos revigorantes, sua clarabóia abre para nuvens impacientes que migram rápido sobre gruas e canos de chaminés.
Embora esta casa não tenha soluções para uma grande parte dos males que afligem seus ocupantes, seus aposentos são evidência de uma felicidade à qual a arquitetura deu a sua característica contribuição.
Capítulo 2
No entanto, a preocupação com a arquitetura nunca esteve livre de um certo grau de desconfiança. Dúvidas surgiram a respeito da seriedade do assunto, o seu valor moral e o seu custo. Um instigante número de pessoas entre as mais inteligentes do mundo desdenharam de qualquer interesse pela decoração e o design, equacionando o contentamento, pelo contrário, com questões imateriais e invisíveis.
Dizem que Epiteto, o filósofo estóico da Grécia Antiga, indagou a um amigo que estava muito triste porque a sua casa havia sido totalmente destruída num incêndio: "Se você compreende o que governa o universo, como pode se queixar por pedacinhos de pedra e rocha bonita?" (Não se sabe quanto tempo mais durou esta amizade). Diz a lenda que, depois de escutar a voz de Deus, a eremita cristã Alexandra vendeu a sua casa, fechou-se numa tumba e nunca mais olhou para o mundo lá fora, enquanto outro eremita, Paulo de Sceta, dormia sobre um cobertor no chão de uma choupana de barro sem janela e recitava 300 orações por dia, sofrendo apenas quando soube de um homem santo que conseguia recitar 700 e dormia num ataúde.
Essa austeridade tem sido uma constante histórica. Na primavera de 1137, o monge cisterciense chamado São Bernardo de Claraval fez a volta completa do lago Genebra sem sequer notar a sua presença ali. Da mesma forma, depois de quatro anos no seu mosteiro, São Bernardo não foi capaz de dizer se a área de jantar tinha um teto abobadado (e tem) ou quantas janelas havia no santuário da sua igreja (três). Numa visita ao Convento dos Cartuxos de Dauphiné, São Bernardo deixou os seus anfitriões atônitos ao chegar num magnífico cavalo branco diametralmente oposto aos valores ascetas que professava. Mas ele explicou que tinha pedido emprestado o animal a um tio rico e não notara a sua aparência nos quatro dias de viagem pela França.
Capítulo 3
Não obstante, essa determinação em menosprezar a experiência visual sempre veio acompanhada de tentativas igualmente persistentes de dar uma forma elegante ao mundo material. Muita gente entortou as costas entalhando flores nas vigas de seus telhados e cansou a vista bordando animais nas suas toalhas de mesa. Essas pessoas renunciaram ao descanso no fim de semana para esconderem feios cabos de eletricidade por trás das prateleiras. Pensaram cuidadosamente em como seria a melhor superfície para se trabalhar na cozinha. Imaginaram morar nas casas caríssimas que aparecem nas revistas e ficaram tristes, como quando se cruza com uma pessoa desconhecida e sedutora numa rua cheia de gente.
Parecemos divididos entre a necessidade de atropelar nossos sentidos e nos adaptar anestesiados aos nossos ambientes e o impulso contraditório de reconhecer o quanto as nossas identidades estão indelevelmente associadas ao lugar onde vivemos, e junto com ele se transformarão. Um quarto feio pode coagular vagas desconfianças quanto ao que está faltando na vida, enquanto outro ensolarado, revestido com pedras calcárias cor de mel, é capaz de dar sustentação às nossas maiores esperanças.
A premissa para se acreditar na importância da arquitetura é a noção de que somos, queiramos ou não, pessoas diferentes em lugares diferentes – e a convicção de que cabe à arquitetura deixar bem claro para nós quem poderíamos idealmente ser.
Capítulo 4
Às vezes ficamos ansiosos para exaltar a influência daquilo que nos cerca. Na sala de estar de uma casa na República Tcheca, vemos um exemplo de como paredes, cadeiras e pisos combinam-se para criar uma atmosfera em que as melhores facetas de nós mesmos têm chance de florescer. Aceitamos com grande gratidão o poder que um simples quarto possa ter.
Mas sensibilidade à arquitetura tem também seus aspectos mais problemáticos. Se um único aposento é capaz de alterar o que sentimos, se a nossa felicidade pode depender da cor das paredes ou do formato de uma porta, o que acontecerá conosco na maioria dos lugares que somos forçados a olhar e habitar? O que vamos sentir numa casa com janelas que parecem as de uma prisão, carpete manchado e cortinas de plástico?
É para impedir a possibilidade de angústia permanente que podemos ser levados a fechar nossos olhos para quase tudo que nos cerca pois nunca estamos longe de manchas de umidade e tetos rachados, cidades despedaçadas e estaleiros enferrujados. Não podemos permanecer indefinidamente sensíveis aos ambientes que não temos como melhorar – e acabar tão conscientes quanto temos condições de ser. Repetindo a atitude dos filósofos estóicos ou de São Bernardo ao redor do lago Genebra, talvez nos vejamos argumentando que, em última instância, não importa muito a aparência dos prédios, o que está no teto ou como a parede é tratada – confissões de desapego que se originam não tanto de uma instabilidade ao que é belo quanto ao desejo de afastar a tristeza que teríamos de enfrentar ficando expostos às muitas ausências de beleza.

http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/040707/trecho_arquitetura.html

Pensamentos

“Você pensa que a filosofia é difícil, mas (…) ela não é nada comparada com a dificuldade de ser um bom arquiteto”, Ludwig Wittgenstein

domingo, 24 de abril de 2011

As varias visões sobre a arquitetura


Li um romance que falava; você só conhece uma obra quando se vê três vezes: amanha, tarde e noite. Pois cada hora você tem uma arquitetura diferente.
O mas engraçado é que tive aula de conforto termico e agora de paisagismo e só agora vejo que é verdade.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O pensamento do arquiteto

"Uma casa é uma máquina de morar."

"Cem vezes pensei que Nova York é uma catástrofe; cinqüenta vezes, que é uma bonita catástrofe."

Le Corbusier

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Eu e a minha Brasília


" Para quem contempla Brasília, as emoções são sempre diversas. Admira-se a grandiosidade do plano de Lúcio Costa, o gênio de Oscar Niemeyer e a obstinada confiança de um povo em seu destino nacional. Só assim tornou-se possível levantar no Planalto uma cidade que é, ao mesmo tempo, um poema e um compromisso com o futuro."

" Nas tardes do planalto, os corpúsculos de fogo se confundem com as tintas da aurora. Tudo se transforma em alvorada nesta cidade, que se abre para o amanhã...."

"Brasileiros: daqui, o centro da Pátria, levo o meu pensamento a vossos lares e vos dirijo a minha saudação. Explicai a vossos filhos o que está sendo feito agora. É sobretudo para eles que se ergue esta cidade síntese, prenúncio de uma revolução fecunda em properidade. Eles é que nos hão de julgar amanhã..."

" Sei bem - todos o sabem- que os episódios do erguimento desta cidade, mesmo os mais obscuros, figurarão na historia que escrevestes com o vosso suor. Um dia virá alguém que fixará no papel a vossa vida de candandos. As gerações futuras desejarão saber tudo o que aconteceu na Capital da Esperança."

" Não é possivel traduzir em palavras o que sinto e o que penso nesta hora. a magnitude desta solenidade há de contrastar por certo com tom simples de que reveste a minha oração.
Dirigindo-me a todos os meus concidadãos, que, dos mais longínquos ricões da Pátria, voltais os olhos para a mais nova das cidades que o Governo vos entrega, quero deixar que apenas fale o coração do vosso Presidente."

JK

Espaço Lúcio Costa


O Espaço Lucio Costa foi criado por Oscar Niemeyer foi inagurado em 1992, em homenagem aos 90 anos do criador de Brasília.
Trata-se de uma edificação subterrânea, constituída por uma grande sala na qual encontra-se a maquete do Plano Piloto de Brasília.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Minha 1° viagem de estudo a Brasilia



Em comemoração ao aniversário de Brasilia minha universidade vez uma viagem de estudo para Brasilia. O intuito da viagem era mostrar para os estudantes de Arquitetura a criação do plano piloto de Lucio Costa, a criação arquitetônica de Oscar Niemeyer e o paisagismo de Burle Marx.
Foi uma viagem de 16 horas até Brasilia mas o cansaço compensou pois conheci obras incríveis, estives em varias exposições.
Estou me organizando para poder postar para vocês as minhas opiniões sobre Brasilia.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires 2009


O arquiteto brasileiro Ângelo Bucci venceu a categoria internacional do prêmio Jovem Geração da BA09 (Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires), que está em sua décima segunda edição. A cerimônia de premiação foi realizada no sábado, dia 10 de outubro, na Argentina.

Além da premiação da própria BA09, na ocasião também foram revelados os vencedores dos prêmios CICA (Comitê Internacional de Críticos de Arquitetura) e Cayc (Centro de Arte e Comunicação), além dos concursos "Melhor fotografia de Arquitetura", "Anteprojetos para o Design de uma Escola Rural" e "Projeto de uma casa unifamiliar". Confira todos os ganhadores:

Prêmios XII Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires

Prêmio Trajetória Internacional: arquiteto Hans Hollein, da Áustria

Prêmio Trajetória Latino-americana: arquiteto Laureano Forero, da Colômbia

Prêmio Trajetória Argentina: Estúdio GGMPU Arquitetos, de Córdoba, Argentina

Prêmio Obra Internacional: compartilhado entre os arquitetos Alberto Campo Baeza, da Espanha, pela "Escola Benetton"; Carlos Zapata, dos Estados Unidos, pelo "Estádio Cavanaugh", em Chicago; e o Estudio Snohetta, da Noruega, pela "Biblioteca de Alexandria".

Prêmio a uma Proposta Urbana: Consuelo Ciscar, da Espanha, pelo seu projeto de Arte e Urbanismo para a cidade de Valência.

Prêmio Jovem Geração: arquiteto Ângelo Bucci, do Brasil, na categoria internacional, e para o Estúdio KLM (Kelly, Lestard, Maldonado), na nacional.

Melhor Apresentação Multimídia Argentina: Estúdio Grimberg/Duek/Iglesias, que contou com a produção de Luis Campos

Melhor Apresentação Multimídia Internacional: Marcelo Joulia, da França

Melhor Mostra Coletiva: "A Arquitetura Russa Atual", da Sociedade dos Arquitetos Russos

Melhor Mostra de Projetos: "Cadeiras de coleção", organizada pelo Suplemento ARQ do jornal Clarín.

Prêmios CICA (Comitê Internacional de Críticos de Arquitetura)

Arte e Esculturas
1º lugar: Clorindo Testa, com a sua obra "Cliptodonte"
2º lugar: Martín Blaszco, pelo Monumento ao Prisioneiro Político Desconhecido
3º lugar: Pablo Dompé, por Katuri

Arquitetura Internacional
1º lugar: Estudio Jarmund/Vigsnaesi, de Noruega, por uma escola em Oslo
Medalha de ouro: BMV Architects, da Suíça, pela Ponte Flutuante em Genebra
Medalha de prata: Alberto Campo Baeza, pelo Museu da Memória, em Granada.

Arquitetura Argentina
1º lugar: Estúdio Hampton/Rivoira, pelo Edifício Voliere
Medalha de ouro: Estúdio Adamo/Faiden
Medalha de prata: arquiteto Diego Arraigada e o estúdio Johnson-Marklee

Prêmios Cayc (Centro de Arte e Comunicação)

Concurso Melhor fotografia de Arquitetura, promovido em parceria com a Nikon
Categoria Preto e Branco
1º lugar: Natalia David Cano
2º lugar: Ricardo Martiniuk
Menção Honrosa: Ines Crusellas

Categoria Colorida
1º lugar: Patricia Ackerman
2º lugar: Barbara Crivos
Menção Honrosa: Alejandro Guilminelli

Concurso de Anteprojetos para o Design de uma Escola Rural, promovido em parceria com a CEDU (Cámara Empresaria de Desarrolladores Urbanos de la República Argentina)
1º lugar: Ezequiel Muñoz e Adrián Olivero
2º lugar: Natalia Bertoldo, Mariano Lo Celso e Javier Martino
3º lugar: Yanina Zylberman, Cecilia Cambeses, Bárbara Lantschner e colaboradores

Prêmio "A Arquitetura e o Ladrilho"
1º lugar: Estúdio Urgell Penedo Urgell, dos arquitetos José Antonio Urgell, Augusto Penedo, Juan Martín Urgell e Associados, pelo edifício da Universidade Católica Argentina na região de Puerto Madero
2º lugar: Estúdio BAK, dos arquitetos María Victoria Besonías, Guillermo de Almeida e Luciano Kruk
Medalha de ouro: Estúdio CF Arquitetos, dos arquitetos Sergio Castiglione e Jorge Finkelstein
Medalha de prata: arquitetos Ignácio Montaldo e Eugenio Ottolenghi
Menção Especial do Jurado: Estúdio B4fs Arquitetos, dos arquitetos Daniel Becker e Claudio Ferrari

Prêmio "A Oficina e o diretor": Estúdio do arquiteto Hugo Epstein

Prêmio "A cor na arquitetura": Guillermo Brunzini e Spilimbergo

Anteprojetos "Costa da Cidade de Luján"
1º lugar: compartilhado com a arquiteta Clarisa María Salvo e o Estúdio de Bruno Bianchi, Damián Bojko, Nelson Etcheverry, Juan Fabri e Guillermo Klentak
Medalha de ouro: Estudio de María Lourdes Ledesma, Martín Otero, Mónica López, Nicolás Blanco e Verónica Rodríguez
Medalha de prata: arquitetas María Laura Zeman e María Alejandra Coletti

Concurso "Projeto de uma casa unifamiliar", promovido em parceria com a empresa Abercom
1º lugar: Estudio AEP, dos arquitetos Alejandro Aramouni, Sebastián Engelhard e Federico Paz
2º lugar: arquitetos Paula Mariñasky e Camilo Policastro
Primeira Menção Honrosa: Estúdio Grimberg-Duek-Iglesias
Segunda Menção Honrosa: Andrés Remy
Terceira Menção Honrosa: Federico Craig, Juan Moujan, Ana Redkwa e Juan Pedro Filpe

Para mais informações, acesse o site da Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires em www.bienalBA.com

Arquitudos

Aquela outra coisa

POR SERGIO TEPERMAN



"Pensei vagamente em estudar arquitetura, como todo o mundo. Acabaria como todos que eu conheço que estudaram arquitetura: fazendo outra coisa. Poupei-me daquela outra coisa, mesmo que não tenha me formado em nada e acabado fazendo essa outra coisa." Uma vez, sentado por pura coincidência (e deferência do diretor regional do Sesc) em uma mesa de quatro pessoas em um show na showperia do Sesc Pompeia, não tive a coragem de trocar uma só palavra com meu ídolo, autor dessa frase e conhecido pela sizudez: o escritor e jazzista Luis Fernando Veríssimo.

Porém sempre tive a curiosidade de entender porque há tantas pessoas famosas em outras atividades, mas cuja formação universitária é arquitetura. Evidentemente, a universidade proporciona uma base cultural que possibilita aos portadores de um diploma aventurar-se por diversas áreas do conhecimento ou, no caso de cursos fracos, do desconhecimento. Assim há médicos atuando no circo; engenheiros e advogados trabalhando em tudo o que é possível. Os engenheiros, por sua boa formação, fazem absolutamente de tudo e alcançam posições importantes em grandes empresas e órgãos oficiais. A verdade é que um país se constrói (literalmente) com engenheiros, e o maior exemplo é a impressionante quantidade deles que dirigiu a antiga União Soviética.

As universidades, mesmo as mais fracas, possibilitam a seus alunos um desenvolvimento intelectual. Ainda que os cursos sejam falhos e os professores piores ainda, o ambiente abre a cabeça dos jovens. As faculdades de arquitetura, em particular, por todo o aspecto cultural que cerca a profissão, oferecem muitos caminhos.

Este texto é apenas uma listagem curiosa (e bastante incompleta) de como nossos coleguinhas se viram, e muito bem, "naquelas coisas" do Veríssimo. Favor não interpretar erroneamente a expressão "naquelas coisas", muito embora haja o boato de que alguns arquitetos também são razoáveis "naquelas outras coisas".

Então aí vai uma listinha, que os ingleses chamam de shortlist, de arquitetos ou ex-tudantes de arquitetura (não entram na lista artistas plásticos ou cenaristas porque ela se tornaria uma lista telefônica):

Músicos: Falcão, Elomar, Fausto Nilo, Maranhão, os irmãos Caruso, Billy Blanco, Arrigo Barnabé, Guilherme Arantes, Francisco Buarque de Holanda e Antonio Carlos Brasileiro (e pré-ecológico) de Almeida Jobim

Escritores: Milton Hatoum e José Agripino de Paula (meu colega "Lapa")

Chefs: Ana Soares e Roberto (quem diria) Ravioli

Garoto-propaganda: o ótimo ator Carlos Moreno (Bombril)

Esportistas: Ícaro de Castro Mello (com esse nome só podia ser recordista sul-americano do... salto com vara!)

Assassinos: Albert Speer, ministro de armamentos do 3o Reich e 2o homem da Alemanha nazista, que ainda desenhava casinhas na Baviera (e a Berlim dos 1.000 anos) e Mohammed Atta, o piloto egípcio que comandou o ataque ao World Trade Center

Presidentes: Belaúnde Terry (Peru); Sukarno (Indonésia), Thomas Jefferson (EUA), que nas horas vagas projetava Washington

Assessores presidenciais (ninguem é perfeito): José Expedito Prata (FHC) e Clara Ant (Lula)

Costureiros, ou, mais chique, estilistas: Pierre Balmain, Gianfranco Ferré, Cristobal Balenciaga, Gianfranco Gianetti (sócio de Valentino Garavani), além de Albert de Givenchy, Paco Rabanne que fizeram a École des Beaux Arts ou Arts Décoratifs e John Galliano

Uma história curiosa: quando trabalhava em Londres, me inscrevi em dois cursos noturnos de design na Central School of Arts and Crafts e na St. Martins College of Art and Design. Na St. Martins descobri rapidamente que não ensinavam design, só moda e fiz a besteira de largar o curso onde estudavam as mocinhas mais bonitas e finas de Londres, vestidas com as famosas mini de Mary Quant. Pois bem, John Galliano estudou aí.

Enfim, nossa profissão e nosso dia a dia são muito duros para falarmos só de seus problemas. Podemos de vez em quando nos dar ao luxo de "relaxar e gozar", como aconselhou uma ministra durante a crise aérea. Vamos enfim pensar que arquitetura também tem as suas 1.001 (f)utilidades, como a decoração. E lembrar de sua mais brilhante representante: Natália Guimarães, a miss Brasil.

Pessoal vou postar depois meu comentario sobre está reportagem da Revista aU